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A figura do Romeiro

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A figura do Romeiro

Olhos cansados, pele enrugada pelo sol, a labuta na roça é pesada e fatigante mas todos os dias é preciso pegar no cabo da enxada e partir para mais uma jornada de trabalho em seu modesto viver. Em sua maioria chamam-se Cícero, Cícera, Maria, José. Constroem no dia a dia a sobrevivência nos sertões pelo Brasil a fora, mais precisamente pelo Nordeste.

Pela manhã na simples sala a imagem do Padre tido por eles santo é adorada com palavras de esperança, pois em breve a visita ao “Padim” no alto do Horto se tornará realidade. A penitência será cumprida e a graça alcançada será agradecida.

O dia se arrasta, o suor pinga, parece que as horas não querem passar, mas mesmo assim há espaço em sua mente para lembrar do bendito e cantarolar mesmo que baixinho por entre o roçado as simples palavras mas de grande valia que o Padre Cícero esinara.

A hora mais aguardada se aproxima, a noite foi mal dormida pois a ansiedade lhe fez rolar na rede sem conseguir descanso algum. Mas o que importa?

Mal o sol desponta no horizonte, e o pau de arara já o espera na porta. É colocada a melhor roupa, o lanche, a água, as orações mal escritas pelas mãos do homem ou mulher tão calejada, as poucas economias. O vai e vem do desconforto do caminhão é vencido com louvores a Mãe das Dores e ao Padre Cícero.

Novamente vem o sol a despontar só que agora no sertão do Cariri e de longe se avista a imagem do Padre no alto da colina. Uma lágrima escorre no rosto do romeiro. A jornada da viagem foi vencida, a chegada foi em paz, seu coração está em paz. O Juazeiro virou realidade e agora nenhum minuto pode ser perdido. Respira-se o Padre Cícero em todos os cidadãos juazeirenses, em toda casa, em cada esquina.

Comments (1)

  1. Raphael Reply

    Adorei o texto!! Amei!

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